Pará

Politicagem deixou
o Pará sem ferrovias

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Agora é pra valer: o Pará não vai ter financiamento para construir a Ferrovia Paraense (Fepasa), de Santana do Araguaia a Barcarena e não terá recursos do governo federal para implantar em seu território o ramal da ferrovia Norte-Sul de Açailândia, Maranhão, até o porto de Vila do Conde, em Barcarena.
O que mais entristece nessa história é saber que o governador de plantão do Pará, Helder Barbalho, agiu como ministro da Integração Nacional, no governo de Michel Temer, provavelmente orientado pelo seu honestíssimo pai, o senador Jader Barbalho, para que os recursos da renovação da concessão da ferrovia de Carajás, da mineradora Vale, não fossem investidos no Pará.


Helder e Jader Barbalho agiram para evitar que o governador do Pará à época, Simão Jatene, não iniciasse a construção da Fepasa, uma ferrovia que cortaria o Pará do sul ao norte, abrindo caminho para que boa parte da produção de grãos do Centro-Oeste fosse escoada para o mercado internacional pelo Porto de Vila do Conde.
O ato vil de Helder e Jader Barbalho feriu o governo Jatene, mas atingiu de morte a economia do povo do Pará, que perdeu R$ 4 bilhões de investimentos na ferrovia e deixou de gerar milhares de empregos diretos e indiretos.
Escrevi há dois anos, no Facebook, sobre essa manobra dos Barbalhos para prejudicar o Pará.
O que mais impressiona nessa história de a mineradora Vale investir em uma ferrovia beneficiando os Estados de Goiás e Mato Grosso é saber que o senador Jader Barbalho (MDB) e seu filho Helder Barbalho (MDB), por politicalha rasteira, fizeram o Pará perder R$ 4 bilhões de investimentos da Vale – que também deixará de fazer o ramal ferroviário ligando Acailândia, no Maranhão, ao porto de Vila do Conde, em Barcarena, trazendo a ferrovia Norte-Sul até o maior porto de exportações do Estado..
Jader e Helder Barbalho sabiam que, endossando a manobra do então presidente aliado Michel Temer (MDB), levando os recursos da Vale para Goiás e Mato Grosso, estaria prejudicando o governo Simão Jatene (PSDB).
Mas quem perdeu, de fato, foi o sofrido e abandonado povo paraense.
Mais uma vez, espoliado pela União.
Pois é, aconteceu o que eu tinha previsto. O investimento foi para ferrovia ligando Goiás ao Mato Grosso e o Pará ficou sem o ramal da Norte – Sul ligando Açailândia ao Porto de Vila do Conde, em Barcarena, e também ficou sem a Ferrovia Paraense (Fepasa), que cortaria o Pará de norte a sul.
A Vale, que retira mais de 50 por cento do minério de ferro que exporta da Serra dos Carajás, operando nos municípios de Parauapebas, Canaã dos Carajás, Marabá e Curionópolis, entre outros, no sudeste do Pará, lavou as mãos.
Venceu a politicagem. No governo Michel Temer, Oi jornal Diário do Pará, do senador Jader Barbalho, chegou a anunciar em manchete de primeira página que a União investiria R$ 1 bilhão no ramal da ferrovia Norte – Sul, que ligaria Açailândia a Barcarena, a 50 km de Belém, por onde seriam escoadas milhares de toneladas de grãos da região Centro – Oeste, pelo Porto de Vila do Conde.
Ficou na promessa, como mostra a vida real. Helder Barbalho se elegeu governador em uma eleição onde usou a máquina de seu grupo de comunicação na campanha, com produção de Fake News em massa – como consta do parecer do procurador regional eleitoral que pede a cassação do diploma do governador Barbalho e, também, do vice-governador Lúcio Valle – e o Pará, 19 meses depois da posse de Helder, continua sem ferrovias. E assim continuará.
Nós, paraenses, pagamos a conta desta política sem escrúpulos onde o que interessa é o poder.

O silêncio dos poderosos

Estranho a subserviência ao puder Executivo estadual da Assembleia Legislativa do Estado (Alepa), da Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa) e da Associação Comercial do Pará (ACP) entre outras entidades, sobre a decisão do Tribunal de Contas da União (TCU), que deixou o Pará sem ferrovias.
Todos calados, caladinhos, diante de um fato que significará anos de atrasos para a economia do Pará, que no médio prazo não terá nem a Ferrovia Paraense (Fepasa), nem o ramal ferroviária da Norte-Sul, ligando Açailândia, no Maranhão, ao Porto de Vila do Conde, em Barcarena.

Ronaldo Brasiliense
Ronaldo Brasiliense é o repórter mais premiado da Amazônia nos últimos trinta anos. Conquistou os maiores prêmios da imprensa brasileira em uma carreira marcada por reportagens denunciando a corrupção, a malversação do dinheiro público, em defesa da democracia, dos direitos humanos, da preservação do meio ambiente e da cultura dos povos da floresta. Atualmente, Ronaldo Brasiliense é presidente da Academia Artística e Literária de Óbidos (AALO) e da Associação Cultural Obidense (ACOB), que administra o Museu Integrado de Óbidos e promove anualmente o Festival do Jaraqui, além de executar obras com o apoio da sociedade civil obidense e do poder público municipal, como a atual revitalização do histórico Forte Pauxis, marco de fundação da cidade de Óbidos.

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