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O cientista político e presidente do instituto Doxa, Dornélio Silva, decidiu se manifestar sobre as divergência entre os números das pesquisas divulgadas por seu instituto e pelo Ibope nessa segunda-feira (17). Enquanto no primeiro instituto a diferença entre Helder Barbalho (MDB) e Márcio Miranda (DEM) é de menos de 15 pontos percentuais (pesquisa completa aqui), no segundo é de 32, mais que o dobro.

Leia também: ‘Helder chegou no seu teto de crescimento’, diz presidente do instituto Doxa

“Essa é a oitava pesquisa estadual que a Doxa faz. Conhecemos muito bem nosso estado. Temos uma série histórica de pesquisas que dizem completamente o contrário do que o Ibope vem publicando. Quem tem que explicar esse percentual fora da realidade é o próprio Ibope.”

Em entrevista exclusiva ao Portal da Amazônia, Dornélio defendeu seu estudo e convidou o Ibope a se explicar sobre os números “fora da realidade” apresentados. Confira:

Portal da Amazônia: Doxa e Ibope divulgaram pesquisa no mesmo dia com resultados bem contrastantes. Como explicar?

Dornélio Silva – Eu acredito no que faço. Essa é a oitava pesquisa estadual que a Doxa faz. Conhecemos muito bem nosso estado. Temos uma série histórica de pesquisas que dizem completamente o contrário do que o Ibope vem publicando. Quem tem que explicar esse percentual fora da realidade é o próprio Ibope. Além dos dados publicados pela Doxa, temos pesquisas internas que mostram já que o candidato Helder Barbalho chegou a seu teto. E agora começa a cair. É fato que qualquer candidato a cargo majoritário, que apareça em inicio de campanha já com índices altos (como é o caso de Helder Barbalho) tem grandes dificuldades de segurar esse índice. Seu crescimento será lento. E a tendência no decorrer da campanha é de cair. Exemplos temos muitos na história de campanhas paraenses.

“Nossa margem de erro é bem menor que a do Ibope.”

Portal da Amazônia: Há diferenças metodológicas?

Dornélio Silva – Há diferenças, sim, de metodologias. A Doxa trabalha com uma amostra em torno de 2.000 entrevistas, levando em consideração a distribuição dessa amostra pelas seis mesorregiões do estado. Com essa diversidade geográfica, cultural, o tamanho da amostra busca captar nos mais longínquos rincões paraenses a intenção do eleitor. Por isso, nossa margem de erro é bem menor do que a do Ibope. Quanto mais distribuímos nossa amostra no universo continental de nosso estado, nos aproximamos mais da verdade do que pensa o eleitor. O Ibope, por sua vez, entrevista apenas 812 pessoas, distribuindo 14 entrevistas na maioria dos municípios pesquisados. Só aumenta a amostra um pouco em Belém. Ananindeua, Santarém, Marabá, Castanhal. Nos demais municípios, o Ibope aplica apenas 14 entrevistas em cada município. O Ibope não se utiliza de uma amostra representativa. Portanto, com esse tipo de distribuição amostral, o Ibope corre grande risco dessas 14 entrevistas encontrarem bolsões de apenas um candidato. A Doxa vem adotando uma amostra representativa do universo estadual do Pará há mais de três eleições estaduais. Em todas elas, a Doxa vem acertando e mostrando a realidade tal qual pensa o eleitor paraense. Por isso, acreditamos muito mais na nossa metodologia do que a do Ibope.

Portal da Amazônia: O senhor acredita que a tendência mostrada pela pesquisa Doxa é a de que haverá segundo turno?

Dornélio Silva – Sim, por que temos estudos de uma série histórica que mostra isso. Além disso, os números da Doxa indicam crescimento maior de Márcio do que de Helder; além do crescimento de Paulo Rocha.

Afirmo que vamos nos aproximar do que o TRE vai indicar nas urnas.

Portal da Amazônia: O Instituto Doxa acertou o resultado da eleição para o governo do Pará em 2014. Vai repetir a dose em 2018?

Dornélio Silva – Sim, pelo trabalho sério, competente de nossos entrevistados e pelas análises que fazemos de nossas pesquisas, afirmo que vamos nos aproximar do que o TRE vai indicar nas urnas.

Ronaldo Brasiliense
Ronaldo Brasiliense é o repórter mais premiado da Amazônia nos últimos trinta anos. Conquistou os maiores prêmios da imprensa brasileira em uma carreira marcada por reportagens denunciando a corrupção, a malversação do dinheiro público, em defesa da democracia, dos direitos humanos, da preservação do meio ambiente e da cultura dos povos da floresta. Atualmente, Ronaldo Brasiliense é presidente da Academia Artística e Literária de Óbidos (AALO) e da Associação Cultural Obidense (ACOB), que administra o Museu Integrado de Óbidos e promove anualmente o Festival do Jaraqui, além de executar obras com o apoio da sociedade civil obidense e do poder público municipal, como a atual revitalização do histórico Forte Pauxis, marco de fundação da cidade de Óbidos.

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1 comentário

  1. […] O presidente da Doxa já havia afirmado anteriormente que os números do Ibope não condiziam com a … […]

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