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Termina de forma melancólica o primeiro ano do governo de Helder Barbalho (MDB), eleito com promessas mirabolantes, não cumpridas, num flagrante caso de estelionato eleitoral.

Não se tem notícia neste Século, no Pará, de que o governador e o vice-governador do Estado tenham sofrido operações de busca e apreensão da Polícia Federal por supostos atos envolvendo corrupção com dinheiro público e privado.

Sim, meus amigos: nos oito anos da administração do saudoso Almir Gabriel (PSDB), nos quatro anos do desgoverno de Ana Júlia Carepa (PT) e nos 12 anos da gestão de Simão Jatene, nenhum dos três passou pelo constrangimento de ver suas residências e o palácio do governo invadidos por policiais federais em operações autorizadas pela Justiça.

Há dois meses, o governador Helder Barbalho viu a Polícia Federal rondar sua luxuosa mansão no condomínio Lago Azul, em Ananindeua, e a torre da Rede Brasil Amazônia (RBA), na avenida Almirante Barroso, em Belém no inquérito que investiga o pagamento de R$ 1,5 milhão de propinas pela Odebrecht.

Nesta semana, a mesmíssima Polícia Federal fez operação de busca e apreensão na casa e no gabinete do vice-governador Lúcio Valle, no Palácio do Governo, acusado de liderar uma quadrilha que há anos vinha assaltando as verbas do Fundo de Desenvolvimento da Educação em 10 municípios paraenses, surrupiando inclusive verbas que seriam destinadas à aquisição da merenda escolar de nossas crianças, numa roubalheira que pode ter chegado a R$ 40 milhões.

Tão grave como os desvios do dinheiro da merenda é o silêncio sepulcral da mídia tradicional – televisão, rádio e jornal – pertencente à família de Helder Barbalho: nem uma linha sobre a busca e apreensão nas casas de Helder Barbalho e Lúcio Valle foi publicada, mostrando que o jornalismo passa longe do grupo de comunicação dos Barbalhos.

Helder Barbalho chega ao final de 2019 sem uma obra para chamar de sua. Quando muito reinaugurou o hospital Abelardo Santos, em Icoaraci, distrito de Belém, inaugurado em dezembro de 2018 por quem o construiu e equipou, o ex-governador Simão Jatene.

O filho do notório senador Jader Barbalho – preso e algemado pela Polícia Federal, há alguns anos, denunciado ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo então procurador da República Antônio Fernando Souza como ‘chefe da quadrilha’ que saqueou os cofres da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) – Helder Barbalho em 11 meses e 15 dias colecionou recordes negativos.

No governo dele Belém do Pará conheceu a maior chacina urbana do século – com 11 mortos no Bar da Wanda – e o maior massacre de presos da história do Pará, com 62 assassinados – 16 deles degolados – no Complexo Penitenciário de Altamira, no sudeste do Estado.

Helder chega ao fim dos seus primeiros 365 dias de governo sem pagar o piso nacional prometido aos milhares de professores públicos paraenses e sem conceder reajuste salarial aos policiais.

Para completar, sob o silêncio dos partidos de esquerda e conivência da maioria dos deputados dos partidos de oposição, tenta no apagar das luzes aprovar na Assembleia Legislativa um “pacote de maldades” contra o funcionalismo público, incluindo nele no aumento da contribuição previdenciária de 11 para 14 por cento.

Estão achando pouco? Então aguardem que o pior ainda está por vir.

Ronaldo Brasiliense
Ronaldo Brasiliense é o repórter mais premiado da Amazônia nos últimos trinta anos. Conquistou os maiores prêmios da imprensa brasileira em uma carreira marcada por reportagens denunciando a corrupção, a malversação do dinheiro público, em defesa da democracia, dos direitos humanos, da preservação do meio ambiente e da cultura dos povos da floresta. Atualmente, Ronaldo Brasiliense é presidente da Academia Artística e Literária de Óbidos (AALO) e da Associação Cultural Obidense (ACOB), que administra o Museu Integrado de Óbidos e promove anualmente o Festival do Jaraqui, além de executar obras com o apoio da sociedade civil obidense e do poder público municipal, como a atual revitalização do histórico Forte Pauxis, marco de fundação da cidade de Óbidos.

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