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O Pará já está estourando o limite de gastos imposto pela Lei de Responsabilidade Fiscal desde o governo de Simão Jatene (PSDB), encerrado em 31 de dezembro de 2018, mas o governador marqueteiro Helder Barbalho (MDB) não para de disparar factoides, anunciando aumentos na folha do Estado.

O último – a contratação de 1,500 policiais civis e de 7.000 policiais militares – representaria um acréscimo de até R$ 1 bilhão nos gastos do Estado, não apenas com salários, mas também com treinamento, armamentos, carros, coletes à prova de bala e alojamentos para esta nova tropa.

Helder Barbalho dispara seus torpedos no seu grupo de comunicação, aumentando os gastos do Estado sem se preocupar com a Lei de Responsabilidade Fiscal, como se lei fosse potoca

Ao mesmo tempo, Helder patrocina uma farra de incentivos fiscais, como a isenção do Imposto sobre Circulação de Mercadorias (ICMS) para centenas de entidades religiosas, que ficariam isentas nas conta de energia elétrica de seus templos espalhados pelo Pará, em todas as regiões, sem falar na isenção fiscal para beneficiar as falidas guzeiras localizadas nas regiões Sul e Sudeste do Estado, grandes consumidoras de carvão vegetal em portanto, incentivado a devastação do que ainda resta de floresta tropical úmida naquelas regiões já arrasadas por fazendas de gado e por uma incontrolada e selvagem exploração mineral.

O mais estranho é que Helder Barbalho propaga em seu grupo de comunicação que recebeu o Para com um déficit fiscal der R$ 1,5 bilhão, mas não se viu nestes quase quatro meses de governo nenhuma medida saneadora para economizar o dinheiro público.

Os 2.500 demitidos de cargos comissionados já foram substituídos em pouco mais de cem dias por 2.700 novos apaniguados, inclusive em cargos de assessor especial da Governadoria do Estado, com o loteamento beneficiando antigos e novos aliados, de todos os partidos, numa perversa volta do “toma lá, dá cá”, com a cooptação de antigos adversários, ressurgindo no Pará a “velha política” nefasta que por muitos anos prosperou por aqui, nas décadas de 80 e 90 do século passado, quando o pai de Helder – o notório senador Jader Barbalho – governou o Estado em duas oportunidades (1983-1986 e 1991-1994), deixando cono herança um rastro de dívidas impagáveis e quatro meses de salários do funcionalismo em atraso.

O quadro ainda deve se agravar mais se Helder Barbalho resolver cumprir suas promessas de campanha, pagando o piso salarial nacional para milhares de professores públicos e implantar uma escola em tempo integral em cada um dos 144 municípios do Estado, antecipando um cenário de caos administrativo, com repúdio à Lei de Responsabilidade Fiscal e atrasos no pagamento dos mais de 100 mil servidores. .

Que Deus tenha piedade de nosso pobre e espoliado Pará.

Ronaldo Brasiliense
Ronaldo Brasiliense é o repórter mais premiado da Amazônia nos últimos trinta anos. Conquistou os maiores prêmios da imprensa brasileira em uma carreira marcada por reportagens denunciando a corrupção, a malversação do dinheiro público, em defesa da democracia, dos direitos humanos, da preservação do meio ambiente e da cultura dos povos da floresta. Atualmente, Ronaldo Brasiliense é presidente da Academia Artística e Literária de Óbidos (AALO) e da Associação Cultural Obidense (ACOB), que administra o Museu Integrado de Óbidos e promove anualmente o Festival do Jaraqui, além de executar obras com o apoio da sociedade civil obidense e do poder público municipal, como a atual revitalização do histórico Forte Pauxis, marco de fundação da cidade de Óbidos.

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