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Na década de 90, o antropólogo Claudio Romero foi demitido da presidência da Fundação Nacional do Índio (Funai) ao se pronunciar sobre uma chacina de índios yanomami, em Roraima.

A primeira versão divulgada anunciava que 14 índios teriam sido massacrados por garimpeiros invasores na aldeia Haximu – e eu estava lá cobrindo como repórter para a Revista ISTOÉ.

Em Brasilia, em entrevista coletiva, Claudio Romero anunciou:

– Não foram assassinados 14 índios. Foram apenas seis.

A palavra “apenas” custou o emprego do presidente.

A morte de um único índio já é uma tragédia.

Imagina agora, no Pará, o governador Helder Barbalho (MDB) divulgar no jornal de sua família estatísticas mostrando que 179 pessoas foram assassinadas nos primeiros 20 dias de seu governo, contra mais de 250 no mesmo período em 2018.

Ninguém, em lugar algum do mundo, comemora 179 assassinatos em 20 dias, quase nove mortes por dia.

Seria uma tragédia até mesmo na sangrenta guerra civil da Síria.

A verdade é esta, doa a quem doer.

O que o jornal Diário do Pará – dos Barbalhos – omite é que dez policiais foram assassinados em 20 dias, um triste recorde.

Em que mundo vive o governador Helder Barbalho (MDB), que festeja 179 assassinatos no Pará em 20 dias? Redução?

Em 2018, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do Pará, foram assassinados 44 policiais, entre civis e militares.

Mantida a média atual do governo Helder Barbalho – dez policiais assassinados em 22 dias – teríamos mais de 130 agentes de segurança assassinados ao final de dezembro de 2019, superando o Rio de Janeiro e garantindo ao Pará o título de Estado que mais assassina policiais no Brasil. Deus que nos defenda.

Ronaldo Brasiliense
Ronaldo Brasiliense é o repórter mais premiado da Amazônia nos últimos trinta anos. Conquistou os maiores prêmios da imprensa brasileira em uma carreira marcada por reportagens denunciando a corrupção, a malversação do dinheiro público, em defesa da democracia, dos direitos humanos, da preservação do meio ambiente e da cultura dos povos da floresta. Atualmente, Ronaldo Brasiliense é presidente da Academia Artística e Literária de Óbidos (AALO) e da Associação Cultural Obidense (ACOB), que administra o Museu Integrado de Óbidos e promove anualmente o Festival do Jaraqui, além de executar obras com o apoio da sociedade civil obidense e do poder público municipal, como a atual revitalização do histórico Forte Pauxis, marco de fundação da cidade de Óbidos.

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