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Hoje sinônimo nacional de corrupção, o senador Jader Barbalho (MDB) envolveu-se em falcatruas, com desvios de dinheiro público, ainda em sua primeira gestão como governador do Pará (1983-1986) quando foi protagonista de um dos maiores escândalos financeiros da história do Pará, ao transferir dinheiro dos cofres do Banco do Estado do Pará (Banpará) para uma conta pessoal, dele, Jader, no Rio de Janeiro.

Entre outubro e dezembro de 1984, Jader teria desviado – segundo denunciou auditoria do Banco Central do Brasil (BC) – algo em torno de R$ 10 milhões dos cofres do Banpará para uma conta aberta na agência Jardim Botânico do Banco Itaú, no Rio de Janeiro. O golpe foi descoberto pelo auditor-fiscal do Banco Central Abrahão Patruni Junior. Trinta anos depois, graças a chicanas advocatícias e malandragens jurídicas, Jader Barbalho continua milionário e impune.

O “Escândalo Banpará” começou ao final de 1984, quando três diretores do banco, indicados pelo então governador Jader Barbalho, emitiram cheques administrativos em valor total equivalente a cerca de US$ 1 milhão. A justificativa é que era para pagar rendimentos de aplicações financeiras de clientes do banco.

Os auditores do BC que investigaram a fraude descobriram que essas aplicações nunca existiram. Os cheques emitidos pelo banco paraense foram usados para alimentar investimentos em títulos de renda fixa ao portador (sem identificação do investidor), na agência do banco Itaú, no Rio de Janeiro.

A investigação do Banco Central constatou que o valor das aplicações foi completado por dinheiro sacado da conta particular que Jader Barbalho tinha na referida agência. O Banco Central começou a investigar o caso em 1990.

Foi uma apuração atribulada, que resultou em três relatórios. O primeiro trata, de forma geral, da quebra do Banpará e recomenda a punição de diretores do banco. O segundo mostra indícios de promiscuidade entre aplicações financeiras de Jader Barbalho e o dinheiro do Banpará na agência do Itaú. Em 1996, o jornal O Estado de São Paulo publicou esse segundo relatório.

O auditor Abrahão Patruni Junior produziu uma versão definitiva do relatório com base no rastreamento do resgate das aplicações abastecidas com o dinheiro do Banpará.

Essa apuração mostrou que os valores resgatados acabaram pousando em contas de Jader e de parentes – entre eles, o pai, Laércio Barbalho, já falecido, e a ex-mulher Elcione Barbalho, hoje deputada federal pelo MDB paraense. A descoberta só foi possível porque o governo do então presidente Fernando Collor de Mello, em 1990, extinguiu as aplicações ao portador. Os investimentos originais teriam rendido, em correção e juros, cerca de R$ 10 milhões para Jader e seus familiares.

“Foram realizadas sucessivas reaplicações e/ou novas aplicações em títulos de renda fixa “ao portador” e resgates parciais através de cheques administrativos e ordens de pagamento emitidas pela agência Jardim Botânico do Banco Itaú e remetidas à praça de Belém, envolvendo familiares e pessoas físicas e jurídicas ligadas ao senhor Jader Barbalho”, diz o primeiro texto do auditor Patruni Junior, divulgado pela imprensa em 1996.

“Quero cumprir o meu papel de brasileiro”, afirma Patruni. “A investigação deixou claro o envolvimento do senador Jader Barbalho com a fraude. Basta olhar o processo.”

Trinta e dois anos se passaram e o Supremo Tribunal Federal nunca julgou o “Escândalo Banpará”, o que comprova, na prática, a denúncia do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, de que o foro privilegiado que beneficia políticos no Brasil é um incentivo à impunidade.

O senador Jader Barbalho é um exemplo vivo desta impunidade que reina no Brasil. Aos 73 anos, continua aí, rico e solto, candidato à reeleição ao Senado, para comprovar a tese.

Ronaldo Brasiliense
Ronaldo Brasiliense é o repórter mais premiado da Amazônia nos últimos trinta anos. Conquistou os maiores prêmios da imprensa brasileira em uma carreira marcada por reportagens denunciando a corrupção, a malversação do dinheiro público, em defesa da democracia, dos direitos humanos, da preservação do meio ambiente e da cultura dos povos da floresta. Atualmente, Ronaldo Brasiliense é presidente da Academia Artística e Literária de Óbidos (AALO) e da Associação Cultural Obidense (ACOB), que administra o Museu Integrado de Óbidos e promove anualmente o Festival do Jaraqui, além de executar obras com o apoio da sociedade civil obidense e do poder público municipal, como a atual revitalização do histórico Forte Pauxis, marco de fundação da cidade de Óbidos.

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Direto da Fonte: 25 de setembro

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