0

Dois pedidos de impeachment foram protocolados hoje, 15 de junho, na Assembleia Legislativa do Pará (Alepa) contra o governador do Estado, Helder Barbalho (MDB) por envolvimento em escândalos de corrupção durante a pandemia do novo coronavírus no Pará.

Dentre os escândalos citados pelos deputados Delegado Caveira (PP) e Éder Mauro (PSD) – que apresentaram os pedidos de impeachment – destaca-se aquisição fraudulenta de 400 respiradores mecânicos na China, através da empresa SKN, por R$ 50,4. A SKN, que não tinha autorização da Anvisa para importar equipamentos hospitalares, entregou no Pará apenas 152 respiradores, todos imprestáveis para socorrer pacientes infectados pelo novo coronavírus. A SKN reconhece que não devolveu integralmente aos cofres do Pará os R$ 25,2 milhões que recebeu adiantados.

A negociata resultou na Operação Para Bellum, da Polícia Federal, autorizada pelo ministro Francisco Falcão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que fez busca e apreensão na mansão de Helder Barbalho e no Palácio do Governo, algo inédito na história do Pará.

Outro escândalo citado envolvendo Helder Barbalho durante a pandemia da Covid-19, com o Pará em Estado de Calamidade Pública, foi o aluguel de oito ambulâncias, por quatro meses, por estratosféricos R$ 7,8 milhões. O custo unitário do aluguel mensal da ambulância pelo governo Helder Barbalho saiu por R$ 245 mil. No mesmo período, a Prefeitura de Belém alugou ambulância por apenas R$ 6.200,00 por mês. Com o dinheiro gasto no aluguel de uma ambulância por Helder Barbalho seria possível comprar 47 ambulâncias.

Houve também a compra de 535 mil cestas básicas por R$ 73,9 milhões de uma empresa que tinha sede num terreno baldio em Ananindeua. Denunciada a fraude nas redes sociais, o governador Helder Barbalho foi forçado a revogar a compra estapafúrdia.

Hospitais de campanha devem ser investigados

Cadê transparência nos gastos para combater o novo coronavírus no Pará?

Acaba a pandemia da assassina Covid-19 e o povo do Pará não sabe onde o governador Helder Barbalho gastou U$ 100 milhões de empréstimo obtido junto ao Banco Mundial (BIRD), aprovado a toque de caixa, na calada da noite pela Assembleia Legislativa do Pará, sem discussão com a sociedade, sem detalhamento dos gastos.

A dinheirama – mais de 500 milhões de reais – vai encher os cofres de algumas organizações sociais que estão administrando, contratadas com dispensa de licitação, os hospitais de campanha montados em Belém, Santarém, Marabá e Breves, e na suposta aquisição de remédios e equipamentos hospitalares, também sem licitação, pelo governo.

Os gastos supostamente irregulares nos hospitais de campanha têm tudo para originar uma nova operação da Polícia Federal no Pará, num, digamos assim, desdobramento do Escândalo do Covidão, que teve busca e apreensão na mansão do governador no condomínio de luxo Lago Azul, em Ananindeua, em no Palácio do Governo.

Cadê os remédios?

A popularidade de Helder Barbalho vai acabar no fundo do poço com a ineficiência da distribuição dos medicamentos adquiridos pelo governo sem qualquer transparência.

Há queixas em todos os municípios, por todo o Pará. Em Óbidos, minha Macondo amazônica, com 52 mil habitantes, chegaram 94 comprimidos de Azitromicina…

A medicação precoce poderia evitar centenas de internações e dezenas de mortes.
Por quê a Sespa não divulga a relação com a quantidade de medicamentos enviados para cada um dos 144 municípios do Estado?

Rumo aos 70 mil

Pará tem 69.224 bons motivos para o governador Helder Barbalho não festejar vitórias na guerra contra a pandemia da Covid 19.

São os infectados pelo novo coronavírus no Estado, segundo o último boletim da Sespa.

Rumo aos 70.000, com mais de 4.200 mortes.

Minha solidariedade a todas as famílias enlutadas.

Ronaldo Brasiliense
Ronaldo Brasiliense é o repórter mais premiado da Amazônia nos últimos trinta anos. Conquistou os maiores prêmios da imprensa brasileira em uma carreira marcada por reportagens denunciando a corrupção, a malversação do dinheiro público, em defesa da democracia, dos direitos humanos, da preservação do meio ambiente e da cultura dos povos da floresta. Atualmente, Ronaldo Brasiliense é presidente da Academia Artística e Literária de Óbidos (AALO) e da Associação Cultural Obidense (ACOB), que administra o Museu Integrado de Óbidos e promove anualmente o Festival do Jaraqui, além de executar obras com o apoio da sociedade civil obidense e do poder público municipal, como a atual revitalização do histórico Forte Pauxis, marco de fundação da cidade de Óbidos.

Helder Barbalho, o fujão

Anterior

A vingança de Helder

Seguinte

Pode ser do seu interesse

Comentário

Deixe sua opinião

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Mais de Pará