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O Pará se aproxima de 100 mil casos do novo coronavírus, mas o governador só quer saber da campanha eleitoral antecipada

Por Ronaldo Brasiliense

Depois de deixar sem salários os médicos dos hospitais Abelardo Santos e do Hangar, em Belém – que arriscam suas vidas para salvar vidas no combate à Covid 19 – e mandar a tropa de choque da Polícia Militar reprimir a manifestação de protesto de mães revoltadas com o calote do vale alimentação de milhares de estudantes da rede pública estadual, o governador Helder Barbalho saiu em campanha eleitoral antecipada em Belém do Pará, em plena pandemia.

Com uma grande comitiva, contrariando seu próprio decreto que proíbe aglomerações, Helder Barbalho – levando a tira-colo dois pré-candidatos à prefeitura de Belém, a secretária de Cultura Ursula Vidal e o vice-prefeito Orlando Reis – pousou no bairro da Terra Firme em campanha extemporânea, nas barbas do Ministério Público Eleitoral.

Nenhuma palavra do governador sobre os quatro respiradores mecânicos imprestáveis que entregou ao prefeito Henrique Costa (PT) de Juruti, no oeste do Pará, que enfrenta o inexorável avanço do novo coronavírus sobre a população do município.

Nenhuma palavra de Helder Barbalho sobre o inexplicável atraso na entrega à população do hospital de campanha de Altamira, na Transamazônica, que deveria atender os municípios localizados no Vale do Xingu na pandemia.

O Pará já tem mais mortes por Covid-19 do que a China – onde a Pandemia começou – mas isso parece não sensibilizar o governador do Estado.

O que vale para ele, Helder, é embalar as campanhas de seus pré- candidatos à Prefeitura de Belém.

Pobre Pará.

Ronaldo Brasiliense
Ronaldo Brasiliense é o repórter mais premiado da Amazônia nos últimos trinta anos. Conquistou os maiores prêmios da imprensa brasileira em uma carreira marcada por reportagens denunciando a corrupção, a malversação do dinheiro público, em defesa da democracia, dos direitos humanos, da preservação do meio ambiente e da cultura dos povos da floresta. Atualmente, Ronaldo Brasiliense é presidente da Academia Artística e Literária de Óbidos (AALO) e da Associação Cultural Obidense (ACOB), que administra o Museu Integrado de Óbidos e promove anualmente o Festival do Jaraqui, além de executar obras com o apoio da sociedade civil obidense e do poder público municipal, como a atual revitalização do histórico Forte Pauxis, marco de fundação da cidade de Óbidos.

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