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A quatro semanas das eleições, o candidato do MDB ao governo do Pará, Helder Barbalho, vive dias de ansiedade diante da iminência de ser indiciado pela Polícia Federal, em inquérito aberto na Operação Lava Jato, com autorização do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Helder Barbalho foi denunciado por dois executivos de grandes empresas, em delação premiada, por supostamente ter recebido propina de caixa dois em sua derrotada campanha ao governo do Pará, em 2014.

Primeiro, o filho do senador Jader Barbalho foi acusado pelo ex-presidente da Odebrecht Ambiental, Fernando Reis, de ter recebido propina de R$ 1,5 milhão da empreiteira Odebrecht na campanha eleitoral de 2014, em três parcelas de R$ 500 mil.


Em depoimento à Polícia Federal, Helder Barbalho reconheceu que recebeu dinheiro da Odebrecht, mas garantiu que as doações foram declaradas à Justiça eleitoral.

Helder disse à Polícia Federal que recebeu R$ 2,2 milhões – declarados à Justiça – mas negou ter recebido valores em caixa dois, o que contraria o depoimento de dois delatores da Odebrecht – Fernando Reis e Mario Amaro da Silveira –, segundo os quais foram pagos em espécie, não declarados, R$ 1,5 milhão em hotel de São Paulo.

Matéria publicada pela Folha de São Paulo diz que ao ser ouvido na PF, em 14 de dezembro do ano passado, Helder Barbalho confirmou trechos dos depoimentos de Fernando Reis e Mário Amaro de Oliveira, executivos da Odebrecht que fecharam acordo de delação com a Procuradoria-Geral da República.

Fernando Reis e Mario Amaro haviam relatado à PF que, em 2014, Helder Barbalho viajara de Belém para o encontro em São Paulo ao lado de mais duas pessoas, o então candidato a senador Paulo Rocha (PT-PA), aliado político naquela campanha, e o então prefeito de Marabá (PA), João Salame Neto (MDB), atual diretor de um departamento do Ministério da Saúde.

Segundo Amaro, o candidato mencionou que precisava de R$ 30 milhões para a campanha e indicou um nome “para que recebesse os valores”, o do ex-senador e atual secretário nacional de Portos, vinculado ao Ministério dos Transportes, Luiz Otávio Oliveira Campos.

Segundo Amaro, Paulo Rocha não pediu recursos para sua campanha. Amaro disse que dias depois foi a Brasília para se encontrar com Campos em sua casa, no Lago Sul, e informou que a Odebrecht iria pagar R$ 1,5 milhão em caixa dois.

Os delatores entregaram à PGR uma planilha com o registro de três pagamentos à campanha do ministro, sob o codinome “Cavanhaque”.

Helder Barbalho negou ter indicado o nome de Campos para Amaro. Mas o próprio Campos, em depoimento à PF, confirmou ter recebido Amaro em sua casa e disse ter ouvido do executivo que a empresa iria contribuir com R$ 1,5 milhão para a campanha em doação oficial.

PROPINA DA JBS PARA HELDER E JADER BARBALHO

O executivo Ricardo Saud, um dos diretores da empresa J&F, que é controladora do frigorífico JBS/Friboi, confessou à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal, em delação premiada, que a empresa pagou R$ 35 milhões em propina para comprar o apoio de senadores do PMDB para a reeleição da presidente Dilma Roussef (PT) em 2014. Entre os citados na delação está o senador Jader Barbalho, do MDB do Pará, e seu filho, o ex- ministro da Integração Nacional, Helder Barbalho (MDB), atual candidato ai governo do Pará,

Em um trecho da delação, Ricardo Saud detalha como foi a partilha do dinheiro e garante que parte da propina bancou a campanha de Helder Barbalho para o governo do Pará. O filho do senador Jader Barbalho concorreu ao cargo em 2014, quando foi derrotado nas urnas por Simão Jatene, do PSDB: No segundo turno eleitoral, Jatene teve 51,92% dos votos válidos, contra 48,08% para Helder.


O ex-senador Luiz Otávio Campos também foi citado nas delações de Ricardo Saud. Campos informou que nunca recebeu pagamentos da empresa.

Em outro trecho, o executivo Ricardo Saud relatou também o pagamento de propina para os diretório estadual do Partido dos Trabalhadores no segundo turno da eleição 2014. O PT foi procurado pela reportagem, mas não se posicionou sobre a denúncia.

O escritório de advocacia Bentes e Bentes, também citado como favorecido no esquema de propina, informou que não irá se posicionar sobre o assunto.

A produção do Portal da Amazônia não conseguiu contato com a CB Consultora Empresarial, também citada nas delações de Ricardo Saud.

Ronaldo Brasiliense
Ronaldo Brasiliense é o repórter mais premiado da Amazônia nos últimos trinta anos. Conquistou os maiores prêmios da imprensa brasileira em uma carreira marcada por reportagens denunciando a corrupção, a malversação do dinheiro público, em defesa da democracia, dos direitos humanos, da preservação do meio ambiente e da cultura dos povos da floresta. Atualmente, Ronaldo Brasiliense é presidente da Academia Artística e Literária de Óbidos (AALO) e da Associação Cultural Obidense (ACOB), que administra o Museu Integrado de Óbidos e promove anualmente o Festival do Jaraqui, além de executar obras com o apoio da sociedade civil obidense e do poder público municipal, como a atual revitalização do histórico Forte Pauxis, marco de fundação da cidade de Óbidos.

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