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No livro A Inquisição, o autor relata o massacre da população da cidade francesa de Beziers. Conta que ao chegar à cidade, o comandante militar da operação para exterminar os hereges perguntou ao chefe da inquisição local, o abade Arnald de Citeaux, como faria para diferenciar os pagãos dos verdadeiros cristãos. A resposta do abade ficou para a história: “Matem a todos. Deus reconhecerá os seus.”

O relato serve para ilustrar o “Pacote de Maldades” lançado esta semana pelo governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), que de uma só canetada exonerou 2.500 servidores comissionados lotados nos quadros do governo do Estado, aí incluídos servidores de férias, de licença médica, grávidas, lactantes e até uma morta, a jornalista Janise Abud, fulminada por um câncer ao final de dezembro do ano passado.

Na ânsia para mostrar austeridade em seu início de governo, demitiu duas grávidas lotadas na extinta Secretaria de Estado de Comunicação (Secom). Outra grávida da Fundação de Telecomunicações do Pará (Funtelpa), de onde também foi exonerada servidora que se encontra em licença maternidade. Vários servidores que estão de férias também foram demitidos, sem nenhum critério.

A canetada de Helder atingiu toda a produção e direção do programa Sem Censura Pará, um marco da TV Cultura, há mais de 30 anos no ar, inclusive a apresentadora Renata Ferreira, e pela primeira vez em anos tirou do ar o Jornal da Manhã

Mas se o governador Helder Barbalho demitiu 2.500 servidores comissionados só pra economizar na folha, porque aumentou o repasse de recursos para o Campeonato Paraense de Futebol, o Parazão, através da Federação Paraense de Futebol?

Helder Barbalho tem todo o direito de demitir servidores DAS, comissionados, contratados pela gestão passada, e colocar no governo pessoas de sua inteira confiança ou indicadas por partidos aliados. Isto é do jogo democrático e deve ser respeitado. Mas poderia fazer isso sem truculência, adotando critérios civilizados, assim como fez hoje, garantindo a contratação de seu tio, o radialista Joércio Fontenelle Barbalho – irmão do seu pai, o senador Jader Fontenele Barbalho -, para uma das mais importantes diretorias do Departamento Estadual de Trânsito, Detran, segunda maior fonte arrecadadora do Estado Mas essa já é outra história, que contaremos com detalhes, mais à frente.

Alea jacta est

Ronaldo Brasiliense
Ronaldo Brasiliense é o repórter mais premiado da Amazônia nos últimos trinta anos. Conquistou os maiores prêmios da imprensa brasileira em uma carreira marcada por reportagens denunciando a corrupção, a malversação do dinheiro público, em defesa da democracia, dos direitos humanos, da preservação do meio ambiente e da cultura dos povos da floresta. Atualmente, Ronaldo Brasiliense é presidente da Academia Artística e Literária de Óbidos (AALO) e da Associação Cultural Obidense (ACOB), que administra o Museu Integrado de Óbidos e promove anualmente o Festival do Jaraqui, além de executar obras com o apoio da sociedade civil obidense e do poder público municipal, como a atual revitalização do histórico Forte Pauxis, marco de fundação da cidade de Óbidos.

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