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A empresa Norte Energia, concessionária da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu, sudoeste do Pará, dona de quatro dos 20 maiores contratos ativos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), recebeu empréstimos de R$ 25,3 bilhões, cuja destinação está sendo investigada pela Operação Lava Jato.

As obras da usina de Belo Monte – que será a segunda maior hidrelétrica do Brasil quando estiver operando em plena carga –, ainda não foram concluídas, mas há mais de dois anos são alvos de investigações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, envolvendo acusações de pagamento de propinas a partidos políticos e formação de cartel.

As três principais empreiteiras responsáveis pela construção de Belo Monte – Norberto Odebrecht, Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa – estão sendo investigadas pela Lava Jato e já foram denunciadas pelo pagamento de propinas a partidos políticos pelos próprios executivos das construtoras, que optaram por fazer delação premiada.

Em sua delação premiada à Procuradoria-Geral da República, os executivos da Andrade Gutierrez revelaram que as construtoras responsáveis pela obra da Usina Hidrelétrica de Belo Monte combinaram o pagamento de uma propina de R$ 150 milhões, 1% do valor que elas iriam obter pelos contratos firmados com a Norte Energia.

O ex-presidente da Andrade Gutierrez, Otávio Marques de Azevedo, confessou aos procuradores da República que atuam na Operação Lava Jato que a empresa tinha um caixa único, formado por recursos oriundos da propina arrecadada junto às empresas que construíam Belo Monte – e também dinheiro legal, que foi usado para fazer doações de campanha eleitoral, inclusive em 2014, quando a construtora Andrade Gutierrez doou R$ 20 milhões para a campanha à reeleição da então presidente Dilma Rousseff (PT),

As propinas foram pagas ao longo da construção da obra e divididos entre o PT e, à época, para o PMDB (hoje MDB). Cada partido teria ficado com uma cota de R$ 75 milhões. Os recursos foram pagos, segundo a delação premiada dos diretores da Gutierrez, na forma de doações legais para as campanhas eleitorais de 2010, 2012 e 2014.

Segundo os executivos da Gutierrez, o dinheiro não era carimbado, mas recursos de propina que acabaram sendo usados para bancar as campanhas petistas e de peemedebistas na eleição presidencial e para os governos estaduais em 2014.

Os R$ 150 milhões arrecadados de propina foram divididos entre as empreiteiras de acordo com a participação de cada uma no consórcio construtor da usina Belo Monte.

A empresa Norte Energia não quis se manifestar sobre a divulgação da lista do BNDES com o total de recursos emprestados para a construção da usina no rio Xingu.

Ronaldo Brasiliense
Ronaldo Brasiliense é o repórter mais premiado da Amazônia nos últimos trinta anos. Conquistou os maiores prêmios da imprensa brasileira em uma carreira marcada por reportagens denunciando a corrupção, a malversação do dinheiro público, em defesa da democracia, dos direitos humanos, da preservação do meio ambiente e da cultura dos povos da floresta. Atualmente, Ronaldo Brasiliense é presidente da Academia Artística e Literária de Óbidos (AALO) e da Associação Cultural Obidense (ACOB), que administra o Museu Integrado de Óbidos e promove anualmente o Festival do Jaraqui, além de executar obras com o apoio da sociedade civil obidense e do poder público municipal, como a atual revitalização do histórico Forte Pauxis, marco de fundação da cidade de Óbidos.

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