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“Somos alvos vivos da bandidagem.” Com essa declaração, a presidente da Associação dos Cabos e Soldados da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros Militar do Pará (ACSPMBMPA), Karla Cristina Matos de Souza, dá o tom da realidade e do medo que impera entre as duas categorias e corporações. Ela classificou como “lamentável para todos” o número de PMs mortos em apenas vinte dias de 2019.

Nas contas da associação, composta por oito mil militares, já ocorreram nove assassinatos desde o dia 1º de janeiro, praticamente um a cada dois dias. A presidente informou que já houve reunião com o novo comandante-geral da PM, coronel Dilson Júnior, a quem foram entregues documentos com pedidos de providências e reivindicações.

“Ele nos explicou o que está sendo feito no reforço à segurança, não apenas na Região Metropolitana de Belém, com o uso do setor de Inteligência”, explicou. Karla de Souza disse entender que o novo governo do Estado tem “apenas vinte dias no poder”, mas que aguarda audiência com o próprio governador Helder Barbalho (MDB) para ampliar o diálogo sobre a situação e os fatores que vêm colocando militares sob risco constante, como moradia em áreas de risco e o baixo soldo, o que obriga muitos a atuar fazendo “bicos”.

Um cadastro interno, chamado de “PM Vítima”, aponta 100 militares que residem em espaços insalubres, ou seja, no interior ou próximos a áreas consideradas vermelhas, o que aumenta o risco de ataques de bandidos. Outros 100 policiais serão incluídos na relação. “É uma luta de um ano e meio”, revelou, sobre a busca de moradias dignas para os praças.

Outra pretensão imediata da categoria é a melhoria do soldo. “Há cinco anos não temos reajustes, temos perdas de 27%”, disse ela, que, como cabo, recebe de soldo apenas R$ 827 – o de soldado é R$ 811. O objetivo é pelo menos a equiparação com o salário mínimo.

A cabo Karla, de 39 anos, nove deles na PM, admite: teme morrer na atual onda de violência que já levou muitos de seus colegas de farda. Mesmo assim, nunca pensou em deixar a profissão. “A gente tem medo, mas é um dever a cumprir”, disse ela, que é mãe de uma menina de onze anos.

Seus pais sempre foram contra que se tornasse uma militar, mas preferiu perseguir o sonho antigo. “Desde pequena admirei o regime militar, a farda, a hierarquia. Meus pais não apoiaram pelo risco que existe, mas hoje minha mãe diz orar não só por mim, mas por outros. Ser policial é ter uma profissão nobre. Arriscamos a vida, salvamos vidas. Combatemos o bom combate”, define.

Por RomaNews

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