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O presidente do Sindicato Rural do município de Rio Maria, sudeste do Pará, Carlos Cabral, 58 anos, foi assassinado com 4 tiros na cabeça, disparados por 2 homens em uma moto. Os assassinos fugiram logo após o crime e a polícia não tem suspeitas de quem sejam e muito menos onde estejam os criminosos.

A vítima ainda foi socorrida e levada ao hospital municipal da cidade, mas veio a óbito logo em seguida devido a gravidade dos ferimentos.

Com uma vida marcada pela coragem e luta em defesa dos interesses dos trabalhadores rurais, Carlos dirigiu o Sindicato dos Trabalhadores Rurais por muitos anos e já havia sido ameaçado e teve várias tentativas de assassinato, mas como a maioria dos que estão nessa situação, sem a proteção do Estado, hoje o eliminaram de vez.

O caso é mais um grave atentado aos defensores da classe trabalhadora na Amazônia, que assim como Chico Mendes, morto em dezembro de 1988, Dorothy Stang, morta em fevereiro de 2005 e o casal de extrativistas José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo, mortos na manhã de uma terça-feira, de Maio de 2011, soma-se a milhares de outros defensores dos Direitos Humanos e do Meio Ambiente na Amazônia, que tiveram suas vidas interrompidas pela ganância de latifundiários e grileiros de terras, assim como pela covardia dos gestores públicos em enfrentar o problema que se arrasta por décadas.

O atentado mancha de sangue o lançamento do programa governamental denominado de “Territórios Pela Paz”, apresentado na manhã desta segunda-feira, 10, no Teatro Margarida Schivasappa. Segundo uma fonte do blog que participou do evento de lançamento, a ideia não passa de um conjunto de ações que fazem uma releitura do programa “PROPAZ”, lançado pelo ex-governador Simão Jatene, em 2011.

Testemunho

O relato, a seguir, é do padre Ricardo Rezende Figueira, que há mais de 30 anos atuou no sul do Pará e de lá teve de sair para não ser assassinado. Ele fala sobre o atentado a bala que matou hoje, Carlos Cabral, presidente do sindicato de trabalhadores rurais daquele município e diretor da Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB):

“Acabo de receber, com tristeza, a informação do assassinato de mais um presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rio Maria, no Pará. Meus sentimentos para a família e um sinal de que os problemas na região prosseguem. Mataram João Canuto, na época sogro do Carlos, Expedito, ambos presidentes do mesmo Sindicato. Assassinaram José e Paulo Canuto, filhos de João Canuto, e o sindicalista Brás, entre outros.

Cabral foi socorrido pelo (Samu) serviço de pronto atendimento e levado para o serviço de emergência do hospital Municipal às 17:00 horas, mas não resistiu aos ferimentos, indo a óbito antes de ser medicado.”

Nota de Pesar do MAB

“O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) vem por meio deste expressar a nossa indignação com o assassinato brutal do companheiro Carlos Cabral, presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (STTR) do município de Rio Maria-PA e dirigente da Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB) no Pará.

Cabral, como era conhecido, foi alvejado por quatro tiros, sendo que um deles atingiu a cabeça, proferidos por dois indivíduos que fugiram em uma moto. Cabral dedicou toda a vida em defesa da Reforma Agrária e por isso, o MAB exige que a Secretaria de Segurança Pública do Estado do Pará e o Governador, não meçam esforços para prender os responsáveis por esse crime brutal contra mais um defensor dos Direitos Humanos.

Carlos Cabral – Presente Presente Presente

O silêncio dos culpados

Até agora, não foram vistas manifestações da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa, da Sociedade Paraense de Proteção dia Direitos Humanos, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, dos grupos de defesa dos direitos humanos, do PT, do PSOL, do PC do B, dos demais partidos políticos.

Ainda é percebido o silêncio sepulcral do governador Hélder Barbalho (MDB).

Sinais de tempos sombrios

Com informações dos blogs “As Falas da Polis” e “Ver-o-Fato”

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